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O livro dos ciúmes
Seguindo a frase-definição de que o ciúme é “imanente fraqueza humana, não há quadrante onde não viceje” e de que “ninguém é imune” a ele, o autor mostra vivência de muitos anos no exterior, em várias culturas, e percorre um delírio de épocas diversas para confirmar que esse “monstro de olhos verdes”, na concepção do eternamente atual Shakespeare, sempre existiu e sempre existirá. Não é sem razão que Carlos Trigueiro revela, no primeiro conto, a existência do borgiano livro Lendas ciganas, rara versão gitana de As mil e uma noites, e da Musa dos Ciúmes, que inspira a criação dos textos. A partir daí todas as onze narrativas, apesar de independentes, se ligam à primeira, em que a personagem, a musa, “com forte sotaque andaluz”, sopra cada um dos contos, cabendo ao narrador adaptá-los “aos tempos e quadrantes da vez”.
(NAUMIM AIZEN)
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