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É variada a gama de prazeres literários que o leitor encontrará nestas páginas.
Em muitas das onze histórias deste Confissões de um Anjo da Guarda, o anjo
Mahlaliel, o narrador, é um dissidente que introduz a ambigüidade, ou até a
corrupção, nas hostes celestiais, e sua interferência, sua intercessão a favor
dos homens vão da pungência ao sarcasmo e alcançam mesmo o grotesco.
Num dos mais saborosos textos, Mahlaliel além de pedir uma audiência (negada)
ao Senhor para questioná-lo sobre o desconserto do mundo, depois de dar
uns tapas num baseado, revela métodos pouco ortodoxos de socorrer seus
protegidos. E, sim, há um humor sem agressão em todos eles.
(Jair Ferreira dos Santos)
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Comento o que passa, pode passar, já passou, não passará. Janela virtual que enquadra o espaço, arredonda passagens, embarca o tempo, salta estações, retira bagagem: “Entre as minhas imagens imorredouras estão as janelas. Primeiro, o esforço que fazia na ponta dos pés para ganhar alguns centímetros e ter a linha da vista sobre os balcões. Um ano ou um palmo depois conseguia divisar as estacas limítrofes do nosso quintal, os embuás se enrodilhando na terra, e lagartas esverdeadas sanfonando o corpo no tronco dos mamoeiros. Com os olhos e pelas janelas fiz minhas primeiras excursões. Acompanhava ...
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